Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Um gesto...Um Bolso...e...Uma Carteira de Fósforos

 

 

Tantas frases feitas que se escoam, se liquidificam, se perdem, se espalham pelos chãos que piso, que olho mas que não vejo.

Poderiam ter a ligeireza de chegar ao destino que lhes imputei.

Poderiam ter tanta força, tanta!

Mas de nada valem, quando não é de um nome de que se fala, ou de um verbo, sequer!

[…]

Dizer, isso sim, queria, fazia-me falta, se, no dia em que, por um mero acaso, chegasse ao fim da página e encontrasse no primeiro parágrafo da página seguinte o nome e o verbo.

[…]

Melhor importar-me apenas com delicadeza que ainda consigo conceder a cada um dos meus gestos e que nada mais questione, já que, sequer fui hábil para segurar um lugar, por muito leve que fosse.

 

 

 

 Fotografia de © Alison Wright/Corbis

 

 

 

Sem mesmo saber o quanto me fariam sentir, vieram pousar-me esta dança no soalho deste quarto do pensamento onde já estou, onde já estava, há tantos luares!
Há gestos impossíveis de explicar! Quem sabe, (se nem eu mesma sei) porque foi que veio, porque mo trouxeram?
Não! Não vou ocupar esta pista com perguntas.
Sereno sim, ao som do tango, alheada de tudo…

Belo o bater da chuva na vidraça desta janela, enquanto o danço, de mão pousada no ombro do desejo de sorriso arrebatado, tão bandido e canalha mas tão sensual como o deste tango.
É suave e ternamente subtil, o afastar da cortina, apenas o pedaço bastante para que a luz ténue dum luar tímido ilumine o espaço e venha ver como um nada é tanto, tanto, quando sentido a dois, ainda que só eu esteja, ainda que só eu sonhe, de mão pousada naquele ombro que sei que guarda o almejo, esta vontade que trago comigo, sempre!

E vamos dançar, prometo!
E vamos, porque tu queres, eu quero, nós queremos tanto!


Seria lá que dançávamos, fosse cumprida a promessa. Seria, sim!
Mas o vento foi mais célere do que ela e arrebatou-lhe a melodia que ela guardara. Não fosse  tão rápido, tão mais rápido que o tempo que me delonguei a tirar de mim este clamor, não fosse ele, o vento, e, estaríamos juntos agora, nesta pista de lembranças, paradoxalmente, só nossa!

Não vou esperar mais. De que adiantaria? Não traria mais de ti, não mais do que o que tenho, que, de teu, guardo.
Que a minha mão se abandone por aquele ombro.
Vou deixar-me levar, fechando os olhos, conseguindo iludir-me mais ainda que a mão amada que se entrega, conduzida que vai ser pelo par…

E é a chorar que me digo que vou dançar, para que, ainda que apenas por mim, seja cumprida a promessa!

publicado por Cris às 05:24
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43 comentários:
De Chloé a 6 de Julho de 2008 às 02:19
Dançar sem esperar... só tentando!
De Cris a 6 de Julho de 2008 às 02:35
Senti a tua ausência. Gosto demais de te ler e saber-te por aqui, perto, faz-me bem! Porquê? Porque te gosto, Linda!
Sem tentar não se chega lá...
Quando menos esperarmos, dançamos, ainda que pareça, para quem nos olhe, que estamos sós...
Que importa o que se passa lá fora? Importa, sim, quando dançamos, o que se sente, cá dentro!

Beijo,

Cris

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